terça-feira, 15 de abril de 2008

A reorganização das turmas: uma medida de eficiência

A reorganização das turmas, se não for feita de forma exagerada, isto é, com excesso de alunos por sala de aula, só trará benefícios à educação. Isso porque, o aproveitamento melhor dos recursos disponíveis, tanto humanos quanto materiais, permitirá que o incremento de recursos financeiros oriundos do crescimento da arrecadação seja aplicado na melhoria do salário do professor e não no pagamento de um número maior de profissionais, que acabam ficando ociosos.

Não se faz ajuste fiscal só com aumento de arrecadação, embora ele seja necessário, mas também com contenção ou redução de despesa, e isso só seconsegue com aumento de produtividade. Os problemas da educação sempre foram tratados pela ótica sindical do professor e não do aluno, e isso acabou prejudicando a ambos. Ao longo dos anos, permitiram-se inúmeras concessões ao magistério, a começar pela revigoração do atual quadro de carreira, que só serviram para aviltar cada vez mais seus salários. Só para dar a dimensão dessa defasem, basta citar que, entre 1986 e 2004, o piso básico do magistério perdeu 60% do seu valor.

Outro aspecto causador dessa defasagem é a aposentadoria precoce do professor, que está fazendo com que grande parte dos recursos destinados à educação esteja sendo canalizada para a previdência. Aliás, esse é um fenômeno que ocorre com todas as categorias, mas de forma mais marcante com o magistério. Uma prova disso é que nos últimos sete anos, os aposentados da educação passaram de 33% para 39% dos gastos totais com inativos.

Três razões contribuem para aviltar o salário do professor: uma decorre da crise financeira do Estado; outra da precocidade da aposentadoria e outra da aplicação ineficiente dos recursos humanos. Quanto às duas primeiras, sua solução foge à alçada da Secretaria, mas a terceira só a Secretaria pode resolver. Examinando-se o Boletim de Pessoal da Secretaria da Fazenda, constata-se a redução de quase dois mil professores em 2007, a despeito do crescimento do número de inativos em cerca de 2.700.
Isso é uma coisa inédita em se tratando da educação, pelo menos, nos últimos anos.Por isso, a medida em causa, mesmo vista de forma invertida como tudo na educação, deve ser muito bem recebida pelos professores, pois sem aumento de eficiência não haverá melhora do salário do professor.

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