sexta-feira, 20 de junho de 2008

Varig e Detran: um paralelo necessário





A imprensa sob suas mais diversas modalidades tem noticiado diariamente os desfalques ocorridos no Detran, cumprindo sua obrigação de informar, o que é salutar e que só é possível numa sociedade democrática.
Toda corrupção deve ser denunciada e seus responsáveis devem ser processados e julgados na forma da lei. Os recursos de que o governo se utiliza são do povo e só em seu benefício podem ser utilizados. Dito isso, passemos ao paralelo pretendido.
As manifestações políticas têm sido no sentido de atribuir ao atual governo a responsabilidade pelo desfalque estimado em R$ 44 milhões no órgão referido, quando se sabe que começou no do governo anterior, que, diga-se de passagem, não o evitou, por desconhecer sua ocorrência, a exemplo do governo atual.
Contraditoriamente, enquanto se faz uma carga tão grande contra agovernadora, inclusive com solicitação de seu impedimento, por um caso que não foi originado em seu governo, há um enorme silêncio no caso davenda da Varig, um dos casos mais escabrosos dos últimos tempos.Os órgãos de imprensa do centro do País têm noticiado que a Varig foi comprada por 24 milhões de dólares e vendida em menos de um ano depois por US$ 320 milhões. Até hoje, não se sabe porque não houve a opção pela proposta de maior preço, de US$ 718 milhões.
A ex-diretora da ANAC informou no Senado que recebeu pressões do Governo Federal e do famoso compadre do Presidente, então advogado da parte interessada, para mudar o parecer da agência, com vistas a viabilizar a operação. Com sua influência foi possível vendê-la ao comprador estrangeiro e tornar a empresa livre de dívidas, que só com a União Federal atingiam 2 bilhões de reais! Isso representou mais de 27 vezes o desfalque do Detran, com apenas um canetaço!
Pela mesma influência foi possível livrar a Varig do pagamento das obrigações trabalhistas, num total R$ 2,3 bilhões para o fundo de pensão dos servidores! O resultado disso tudo foi o aviltamento total dos benefícios previdenciários, no momento em que deles os funcionários mais necessitavam, porque mais 9.000 perderam seus empregos.
Embora um erro não justifique outro, serve de medida para nossa indignação, por ver tamanha grita contra um fato grave, sim, mas imensamente menor do que outro sobre o qual, conforme referido, há um silêncio sepulcral.

Publicado em Zero Hora de 20/06/2008, sexta-feira.

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