quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Mudança na língua portuguesa: uma péssima “ideia”


Embora tenham ocorrido algumas mudanças positivas no emprego do hífen e na acentuação gráfica, de um modo geral, o novo acordo ortográfico entre os países de língua portuguesa só servirá para dificultar ainda mais sua grafia e pronúncia. Além de tudo, deixará desatualizados todos os livros publicados no idioma até então, para satisfazer uma mudança que veio para piorar a situação.

A retirada dos acentos nos hiatos “ee” e “oo” ( creem, deem, abençoo, voo, etc) não implica dificuldade à pronúncia. Já o mesmo não pode ser dito da eliminação do acento agudo nos ditongos abertos “ei” e “oi”. E, para complicar mais, essa última eliminação só ocorreu nas palavras paroxítonas (geleia, ideia, etc.), sendo mantida nas oxítonas (aluguéis, anéis, etc).[1]
Mas o maior problema diz respeito à eliminação do trema, que será mantido apenas nos casos de palavras estrangeiras e seus derivados, como Müller e mülleriano, etc. Sem o trema, a língua portuguesa passará a ter uma grafia bem diferente da pronúncia, em varias situações, a exemplos de outros idiomas. Como se sabe, o “u” depois de “g” e “q” só é lido atualmente quando for tremado ou acentuado em função da regra do trema. Pela nova ortografia desaparece essa regra. Assim as palavras cinquenta, linguiça, sequência passam a ser escritas dessa maneira, sem trema, embora a letra “u” continue a ser lida. Da mesma forma, as palavras pequeno, negue, entregue, onde não há leitura da letra “u” e que já não levam trema, serão grafadas da mesma forma das primeiras, onde ocorre a leitura da letra “u”. A alfabetização apresentará muito mais dificuldade. Imagine a situação de um estrangeiro que não está acostumado com a pronúncia da palavra que está escrevendo!

Além de tudo, estabeleceu dupla grafia para muitas palavras, atendendo à pronúncia dos outros países signatários do acordo, como bebê/bebé, Antônio/António, caráter/caracter, concepção/conceção, dicção/dição, súdito/súbdito, anistia/amnistia, onipotente/omnipotente, entre outras. Embora não obrigados, estamos autorizados a usar qualquer uma das formas.
Se intenção era alterar a ortografia, que fosse para tornar a alfabetização e a escrita mais fáceis, mas nunca para complicá-las ainda mais. Que interesses poderosos estarão por trás de tudo isso?
[1] A grafia incorreta de certas palavras deve-se ao fato de ter sido feita de conformidade com o acordo ortográfico.

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