sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

O Brasil e a crise financeira internacional

O crescimento da economia brasileira, de quase 9% ao ano na década de 70, baixou para perto de 2% nas duas décadas seguintes. Nos oito anos do Governo Fernando Henrique, a taxa média situou-se em apenas 2,3%.

No Governo Lula, a taxa de crescimento do PIB foi de 3,8%, sendo de 5,4% em 2007, o que deve se repetir em 2008. As alterações nos critérios de cálculo do produto contribuíram um pouco para a elevação das últimas taxas de crescimento. Com a crise financeira internacional, essas taxas deverão cair bastante. Mas onde está a explicação para o excelente desempenho da economia no atual governo?

A primeira explicação está na continuidade de uma política econômica que não apresentou os mesmos resultados no governo que a instituiu, pela ocorrência de inúmeras crises internacionais, como a do México, da Rússia, da Ásia e, principalmente, da Argentina, grande parceiro comercial. E, assim mesmo, não fosse a escassez de energia ocorrida em 2001, os resultados teriam sido bem melhores.

O atual governo adotou os mesmos fundamentos básicos na economia do governo anterior, que são superávit primário, câmbio flutuante e metas de inflação, propiciando sua estabilidade.
A formação de superávit primário é condição inafastável para todo o devedor, pois quem deve precisa formar uma reserva para pagar, pelo menos, parte da dívida, sob pena caminhar para uma situação insustentável.

A segunda explicação para o desempenho em causa está na mudança do centro dinâmico do mundo para Ásia, com o aumento da demanda por produtos de que o Brasil é grande fornecedor. Esses produtos tiveram grande expansão de preços, de tal forma que o excelente desempenho da balança comercial brasileira deve-se muito mais ao aumento dos preços das chamadas “commodities” agrícolas e metálicas do que propriamente do aumento das quantidades exportadas em geral.

O crescimento econômico também foi favorecido pelo crédito abundante, situação essa que foi modificada pela crise atual, que é uma crise de confiança, acima de tudo.
Da mesma forma que o setor externo impulsionou o crescimento econômico, agora, com as reduções da demanda, dos preços dos produtos exportados e do crédito, age em sentido contrário. E a salvação do Brasil está na continuidade dos fundamentos básicos citados, ao contrário do que alguns falsos arautos estão afirmando.


Publicado na Gazeta de Caçapava de 26/12/2008.

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