segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Educação: salve as mudanças!

Quanto mais o indivíduo aprende, mais útil ele se torna à sociedade.
José Ingenieros.



Quando se diz que a educação é o principal instrumento para o desenvolvimento da sociedade tem-se em mente a preparação dos indivíduos que a compõem, como muito bem expressa a frase em epígrafe.

O que se observa, no entanto, é que as reivindicações dos profissionais da área não levam em consideração esse aspecto, além de serem contrárias a seus próprios interesses corporativos.
Elas não atendem aos interesses da educação ao defenderem a manutenção de um plano de carreira que não mais se adapta à realidade de hoje, pois, dos seis níveis existentes, apenas nos dois últimos estão 86% dos professores. A pirâmide que deve caracterizar os quadros de pessoal está invertida.

Como há alta participação dos últimos níveis e os multiplicadores do plano são significativos, a tendência natural foi a corrosão da base salarial, que caiu 56% desde 1986. E essa queda, com algumas variações, ocorreu em todos os governos, de todas as matizes políticas que ocuparam o Palácio Piratini. E isso tem levado às contínuas greves, com graves prejuízos aos alunos, especialmente aos pertencentes às classes sociais mais carentes, cuja única alternativa é a escola pública.

O dia em que motivações políticas deixarem de nortear as reivindicações do sindicato da categoria, surgirão alternativas que beneficiarão o ensino e propiciarão a melhora da remuneração do professor.

Como os recursos são limitados, nunca se melhorará o salário do professor se não tivermos em mente critérios de eficiência, tanto no número de alunos por sala de aula, como no de professor por escola. E isso inclui uma revisão também dos critérios de aposentadoria.
Uma prova disso é que, em 35 anos, os recursos aplicados na função educação decresceram de 22% para 13% do orçamento, enquanto os destinados à função previdência passaram de 13% para 30%. A causa disso não foi só a educação, mas sua contribuição para tal foi a mais significativa. Para isso, basta citar que em sete anos sua participação na despesa com inativos passou de 33% para 39%.

Para a melhora da remuneração não basta aumentar o dividendo, no caso, a receita. É necessário reduzir também o divisor, o número de professores. Essas duas condições, conjugadas, é que permitirão o aumento do quociente que cabe a cada um.

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