sábado, 11 de abril de 2009

FMI: Fome, Miséria, Imperialismo?

Ao lermos a notícia de que o Governo brasileiro vai colocar, e até com certo orgulho, dinheiro no FMI, não podemos esquecer o que se dizia antes desse organismo, contra o qual realizavam-se gigantescas manifestações, organizavam-se passeatas, faziam-se acaloradas discussões.
As ruas eram pichadas com as três letras referidas, seguida das palavras Fome, Miséria, Imperialismo. O FMI era o culpado por todas as mazelas sociais do Brasil e dos países do terceiro mundo.
O posicionamento contrário ao FMI era uma bandeira de luta, ele era considerado como maior credor do Brasil, mesmo quando a dívida externa perdeu sua expressão. Até um plebiscito para não pagar a dívida externa e o FMI, foi promovido. Quem não apoiasse esse plebiscito era taxado de neoliberal.
Não menos condenado era o superávit primário, que é a poupança para pagar a dívida. Quem o fizesse ou o defendesse estava a serviço do FMI. Da mesma forma que toda reforma tentada, que não fosse a agrária, era porque o FMI queria. Foi assim com a reforma da previdência no tempo do Governo FHC e com todas as outras reformas que propiciaram a entrada do País num ciclo virtuoso de crescimento econômico.
Dizia-se que a Lei de Responsabilidade Fiscal, uma lei tão importante para o equilíbrio das contas públicas, como é o superávit primário para a estabilidade macroeconômica, eram exigências do FMI.
Tudo isso ocorria como quem, abusando da saúde, culpasse o hospital pelas moléstias adquiridas. As causas eram confundidas com as conseqüências. A difícil situação econômica dos países é que os fazia ir ao Fundo Monetário Internacional, que, ao atendê-los, impunha-lhe as regras necessárias para combater as causas dos problemas que lhes levaram até ele.
Mas se o FMI era tudo isso, se era o responsável por todas as mazelas sociais dos países pobres, como agora o Brasil vai colocar dinheiro para ele continuar fazendo todos esses males? Não era a hora de matar a serpente maligna em vez de ajudar na sua alimentação?
Ou, então, está na hora de fazer um “mea-culpa”, de dizer ao povo que tudo o que foi dito não passava de uma cantilena eleitoral, que tinha por finalidade vencer eleições, sob pena de os políticos e os partidos caírem cada vez mais em descrédito.
Colocar dinheiro no FMI sem dar uma explicação nesse sentido deixa claro que tudo o que foi dito antes era mentira!

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