sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Empréstimos a aposentados e pensionistas: um engodo

A Zero Hora do dia 1º de outubro traz uma matéria muito interessante, onde informa que os juros para os empréstimos consignados a aposentados e pensionistas do INSS serão reduzidos de 2,5% para 2,34% ao mês.

Além disso, a matéria informa que, de janeiro a agosto do corrente, o total dessas operações atingiu a expressiva soma de R$ 15,2 bilhões, num crescimento de 157% em relação a igual período do ano anterior. O crescimento da quantidade de operações foi de 47,3%, atingindo R$ 6,7 milhões.

O que preocupa nessa notícia é que situações aparentemente benéficas escondem um problema social, que, no futuro, poderá ser de grandes proporções, pelas razões seguintes.
O crescimento de 157% no valor dos empréstimos enquanto o dos benefícios cresceu 13% no período deixa claro o grande endividamento por parte dos beneficiários do INSS. Se relacionarmos o número de operações com o de aposentados e pensionistas, constata-se que 30% deles contraíram empréstimos no período citado. Muitos talvez tenham feito aquilo que se chama de rolagem, ou seja: empréstimo para pagar empréstimo.

E o pior de tudo é que o governo incentiva esse tipo de operação, quando o que devia era esclarecer o povo dos malefícios que decorrem do endividamento. Isso, sem falar nos casos onde os velhinhos apenas entram com o nome para que outros se beneficiem do produto da operação.

Na realidade, só há dois beneficiários desses empréstimos: os bancos, que fazem uma operação segura, porque o desconto é feito diretamente na folha de pagamento, e o governo, que achou uma maneira para aumentar o consumo pessoal, item que tem mais influenciado no crescimento do PIB.

Se os proventos dos aposentados são baixos, não é contraindo empréstimos que o problema vai ser resolvido.
Empréstimo não cria dinheiro, apenas antecipa o que seria recebido no futuro, gerando para mais tarde uma despesa maior que a receita antecipada, porque inclui juros.

Se os ganhos presentes são insuficientes, mais insuficientes ficarão no futuro, porque as despesas normais serão acrescidas do valor da prestação da dívida.
Empréstimo só se contrai para adquirir um imóvel ou um bem durável, mas para esses casos há financiamentos específicos e, assim mesmo, tem-se que ter margem.
Por tudo isso, empréstimo para aplicar em consumo pessoal, somente em casos muito especiais!

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