quarta-feira, 9 de março de 2011

O "pibão" enganoso

O governo federal acabou de lançar com muito entusiasmo a notícia do crescimento do PIB de 2010 na ordem de 7,5%, tendo a Presidenta Dilma o denominado de "pibão bom".

Na realidade, é uma excelente marca, principalmente se compararmos com a média apurada nas duas últimas décadas, cujas taxas foram de 2,6% e 3,6%, entre 1991-2000 e 2001 e 2010, respectivamente. Tomando os dois últimos períodos governamentais duplos, tem-se uma média anual de 2,3% para o Presidente Fernando Henrique e de 4,1% para o Presidente Lula.

No tocante aos 7,5% apurados em 2010 tem-se que considerar uma variável estatística denominada “carry-over”, que transfere para o ano seguinte a diferença apurada entre o crescimento do último trimestre e o crescimento médio anual.

Por exemplo, o “carry-over” transferido de 2009 para 2010 foi de 3,6%. Isso quer dizer se o PIB de 2010 permanecesse no mesmo patamar do último trimestre de 2009, ainda assim apresentaria um crescimento de 3,6%. Segundo alguns economistas, o percentual transferido de 2010 para 2011, no entanto, é de 1,1%.

Em sendo assim, do crescimento de 7,5%, apenas 3,9% representam desempenho efetivo de 2010. Somando-se 1,1% a esse último percentual, o crescimento de 2011 atingiria 5%. Mas isso, considerando que o desempenho de 2011 será igual ao do ano anterior.

Mas como no corrente ano devem ser levadas em consideração todas as medidas de ajuste fiscal tomadas, como o corte dos R$ 50 bilhões, o aumento da taxa Selic, o enxugamento monetário, a apreciação da nossa moeda e também os muitos problemas por que passa a economia do mundo, tudo leva a crer que a taxa deste ano ficará muito abaixo de 5%, podendo até ser inferior a 4%.

Deve considerado, no entanto, que em economia as previsões nem sempre se confirmam.

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