segunda-feira, 25 de julho de 2011

O oba-oba com o dinheiro público

Segundo informações da imprensa, o total das obras da Copa 2014 está em R$ 24,5 bilhões. Desse total, estão previstos para serem realizados com dinheiro público R$ 20 bilhões, devendo o restante ser executado pelo setor privado ou por parcerias público-privadas (Tabela).

Na realidade, as obras de mobilidade urbana e os aeroportos são necessários independentemente da Copa. O problema está na pressa para a realização dessas obras, o que obrigou a edição uma nova lei de licitações em que foram abandonados controles e alterados procedimentos que deixaram mais fácil a prática de ilícitos, tão comuns nessa área.

Com todas as facilidades criadas, certamente esses valores dobrarão ou mais do que isso, o que resultará em mais endividamento ao setor público brasileiro, cujos juros devidos nos últimos doze meses atingiram a extraordinária cifra de R$ 220 bilhões, ficando a descoberto, após o superávit primário, a importância de R$ 93 bilhões, que se agregou à dívida.

O impressionante nisso tudo é que o Corinthians receberá um estádio novo para 48.000 lugares, com mais de 50% de recurso público e o restante financiado a juros módicos pelo BNDES, talvez por menos da metade do que o governo paga para captar os recursos através da taxa Selic. Além disso, o estádio pode ser aumentado em 17.000 lugares, tudo suportado pelo Governo de São Paulo, que antes havia dito que não colocaria nenhum tostão.

No Rio de Janeiro todo o custo da obra de reforma do Maracanã será com dinheiro público e, certamente, será o dobro do valor inicialmente previsto de R$ 932 bilhões.

Em Brasília será construído novo estádio no lugar do atual e não se sabe o que será feito dele após a Copa, pois a capital federal não apresenta demanda futebolística para um estádio da dimensão do que está sendo construído!

Da mesma forma, não se sabe qual o destino a ser dado ao estádio que será construído em Manaus, pois os clubes locais não participam sequer da série B do campeonato nacional. O mesmo pode ser dito no tocante a Cuiabá.

Em Pernambuco, os três clubes existentes dispõem de estádios e mesmo assim está sendo construída uma arena que leva o nome do Estado. O destino após a Copa ainda é desconhecido e mesmo que fique com um dos clubes locais, não deixa de ser um gasto desnecessário.

O futebol é o principal esporte nacional e a paixão dos brasileiros, mas deve ser feito sem recurso público, principalmente quando não se tem dinheiro suficiente para a saúde, para a educação, e para as obras de infraestrutura e, ainda, só se consegue pagar pouco mais da metade dos juros devidos.

Depois de tudo isso, nem dá para estranhar que o Presidente do Santos fale em pedir ajuda a Presidente Dilma para manter o Neymar no Brasil!


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