segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Pré-sal: realidade ou sonho?


Todos devem estar lembrados que num passado recente só se falava no pré-sal e que as descobertas do petróleo localizado abaixo da camada de sal, em torno de 6 a 7 mil metros de profundidade, eram a solução para o país.

Foi tanta a euforia, que em 2010 o governo federal vendeu para Petrobras uma quantidade enorme de petróleo por R$ 75 bilhões, tendo usado R$ 43 bilhões para capitalizar a citada empresa, o que nada adiantou, devido aos desmandos que nela ocorreram. Com o  restante de R$ 32 bilhões fez superávit primário,  reforçando  a poupança para pagar a dívida.

Diga-se de passagem,  que 2010 foi um ano de grande arrecadação e, mesmo assim, precisou de receita extra para cumprir a meta de superávit primário, o que indica que as contas já vinham se deteriorando. 

Quase todos os dias eram descobertos novos poços de petróleo e, com tudo isso, se intensificou o debate sobre a distribuição dos “royalties” entre a União, estados e municípios, culminando com uma lei estabelecendo que 75% dos recursos assim obtidos seriam para a educação e 25% para a saúde. O Ministro da Educação da época  afirmou que em trinta anos seriam injetados na educação R$ 368 bilhões, podendo chegar a R$ 500 bilhões.

Em primeiro lugar,  não será fácil retirar esse petróleo que está distante e com acesso muito difícil. Além disso, o custo de extração é alto e só é econômico enquanto o preço do produto no mercado internacional estiver acima de um determinado valor, que segundo alguns estudos  é 55 dólares. O preço hoje está abaixo,  em  US$ 48.

Na época das descobertas, o preço estava acima de 130 dólares, mas novas reservas foram encontradas em vários países e outras alternativas  surgiram, com destaque para o gás de xisto nos Estados Unidos.

E o futuro não se apresenta muito promissor pelas novas tecnologias que estão por vir. A Toyota informa que até 2050 os modelos atuais de carros movidos a gasolina e diesel estarão extintos, sendo substituídos pelos carros elétricos e pelos movidos a hidrogênio, que são energias mais baratas e mais limpas. A Volkswagen seguirá o mesmo caminho, em que seguirão também outras empresas. Já existe tecnologia para isso e, se ainda não foi adotada, foi para evitar possíveis problemas econômicos que sempre ocorrem com mudanças tecnológicas.

Com tudo isso, nosso pré-sal, quando se considera as águas profundas,  pode não passar de um sonho!


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